EMPREGO FORMAL FEMININO

Estado de São Paulo e Regiões Administrativas, entre 2000 e 2002

TIPO DE VÍNCULO

Papel do setor público é mais importante para a inserção das mulheres do que para os homens

DIFERENÇA SALARIAL

Maior desigualdade de salário entre os sexos é registrada nas regiões com estrutura ocupacional mais complexa

ESCOLARIDADE

Emprego de mulheres com ensino superior mantém crescimento e passa a representar mais da metade desse segmento

TABELAS
RESUMO
FICHA TÉCNICA
INTRODUÇÃO
Introdução

Inserção da mulher no mercado formal de trabalho no Estado de São Paulo, entre 2000 e 2002: uma abordagem regional

Estudos sobre o trabalho feminino têm chamado a atenção pela crescente incorporação das mulheres ao mercado de trabalho e pelas características dessa inserção. Um olhar atento nas estatísticas sobre o tema revela que, não obstante o aumento da taxa de desemprego feminino nos últimos anos, as mulheres ampliaram sua participação entre os ocupados. Embora sua inserção ainda se dê, predominantemente, nos segmentos me-nos valorizados do mercado – caso da importante presença feminina no emprego doméstico e no setor informal – as mulheres também passaram a ocupar postos em novos grupos ocupacionais. Observa-se, por exemplo, maior participação feminina no grupo de gerentes financeiras, comerciais e de publicidade, postos de trabalho historicamente destinados aos homens. Por outro lado, a maior es-colaridade das mulheres – que já são maio-ria no ensino superior – não tem repercutido em igualdade salarial com os homens, mesmo quando exercem a mesma função.

Em relação ao setor formal da economia – objeto desse boletim –, observa-se que, na década de 90, aumentou a parcela de mulheres assalariadas, movimento associado à expansão dos empregos no setor de serviços, em paralelo à retração do emprego masculino, em especial no setor industrial.

Estudo realizado pela Fundação Seade registrou, no Estado de São Paulo, entre 1989 e 2000, um cresci-mento de 13,4% no emprego feminino. Tal movimento decorreu, em especial, da ampliação de empregos nos grupos ocupacionais de trabalhadoras dos ser-viços de limpeza e outros, e dos serviços administrativos, sendo que este passou a ser, em 2000, ocupado majorita-ria-mente por mulheres. Esses dois gran-des grupos ocupacionais – que se caracte-rizam por reunir as ocupações tradi-cio-nalmente desempenhadas por mulheres – respondiam por cerca da metade do contingente de mulheres assalariadas. Não obstante o enxugamento das ocupa-ções industriais ter ocorrido, em termos absolutos, com maior intensidade para os homens, referido estudo também re-gis-trou a diminuição de postos de tra-balho entre as mulheres desse setor, o que fez com que o grupo de traba-lha-doras na indústria paulista passasse da segunda posição na estrutura ocu-pa-cional, em 1989, para a quarta, em 2000.

O presente trabalho abordará o movimento da mão-de-obra masculina e feminina no setor formal da econo-mia pau-lista no período mais recente (2000-02), detalhando o exame sob a ótica regional e das condições, inclusive de salário, em que se deu o aumento desse emprego, contrapondo as oportunidades de emprego das mulheres em relação a dos homens. Tal análise será desenvolvida a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais – Rais, base de registros administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.

A Rais tem periodicidade anual e levanta informações relativas ao mercado de trabalho formal brasileiro, obtidas por meio da declaração prestada por todos os estabelecimentos que tenham mantido alguma relação de emprego du-rante o ano anterior ao da declaração. Representa a Rais, assim, um tipo de censo anual, abrangendo um conjunto de informações que apresenta as características do estabelecimento empregador (localização, atividade econômica, tamanho, etc.) e dados sobre os vínculos em-pre-gatícios que o estabelecimento tenha mantido durante o ano-base (sexo, idade, ocupação, remuneração, grau de instrução, etc.).

Embora refira-se apenas aos empregos do setor formal da economia, essa base de dados permite grande desagregação das informações, possibilitando a análise detalhada do comportamento desse segmento nas diferentes regiões do Estado. Sua utilização possibilita eviden-ciar a diversidade nos padrões de inserção ocupacional, revelando as particularidades da dinâmica econômica re-gional. A divisão regional do Estado de São Paulo, adotada nesse estudo, corresponde às suas regiões administrativas . A base de dados da Rais, em dezembro de 2002, contabilizava um contingente de cerca de 8,5 milhões de em-pre-gados com vínculo formal de trabalho, no Estado de São Paulo, dos quais 5,2 milhões de homens e 3,3 milhões de mulheres, o que representa aproximadamente metade da população ocupada no Estado.

É possível verificar que o movimento de inserção da mulher no mercado de trabalho mantém a trajetória de crescimento do emprego formal, verificada nos anos 90, o que contribui para abrandar a tendência, revelada em estudos anteriores, de entrada das mulheres em inserções mais vulneráveis, despro-te-gidas e sem perspectiva de continuidade, que comprometem o futuro de suas carreiras e o acesso à previdência social. Em termos regionais, a despeito do emprego feminino no Interior do Estado ter se elevado de forma mais intensa, permanece a concentração acentuada de assalariadas nas áreas de maior expressão populacional, como a Região Metropolitana de São Paulo – RMSP e a RA de Campinas. Confirma-se também, o predomínio feminino nos empregos com maior nível de escolaridade, bem como, a manutenção da desigualdade salarial. Em todas as regiões, verificou-se que o nível de remuneração das mulheres é inferior ao dos homens. As proporções, porém, são bem distintas e indicam que, quanto mais complexa a estrutura ocupacional, maior é a tendência de diferenciação salarial em favor dos homens, como ilustra a registrada na RA de São José dos Campos.

Desta forma, o objetivo deste trabalho foi o de apresentar um quadro ge-ral da situação regional do emprego fe-mi-nino no Estado de São Paulo, que ao final, potencializou a necessidade de, em trabalhos futuros, abordar mais profundamente alguns aspectos importantes nele suscitados para a discussão sobre a desigualdade de gênero nesse mercado.