MERCADO DE TRABALHO

Estabilidade na participação no mercado de trabalho

taxa de desemprego diminui e é a menor desde 1998

OCUPAÇÃO

Ocupação cresce mais que a dos homens

RENDIMENTOS

Rendimentos voltam a diminuir, decréscimo de 2,1%

APRESENTAÇÃO
TABELAS
RESUMO
FICHA TÉCNICA
INTRODUÇÃO
Resumo

O Mercado de Trabalho Feminino na Região Metropolitana de São Paulo em 2005

Já é conhecido o fato de que a participação das mulheres no mercado de trabalho nas últimas décadas tem aumentado, principalmente ao longo dos anos 90. Entretanto, sua inserção no mundo do trabalho reflete as desigualdades de gênero observadas em outros setores da sociedade. Tal afirmação pode ser comprovada ao se acompanhar os principais indicadores dessa inserção.

Entre 2004 e 2005, após longo período de crescimento, a proporção de mulheres que participam do mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo permaneceu estável em 55,5%, embora no maior patamar desde 1985. Já entre os homens, manteve-se a tendência de redução desse percentual, ao passar de 73,0%, em 2004, para 72,4%, em 2005. A diferença de participação entre os sexos é a menor da série da pesquisa.

No ano em análise, aumentou a presença de mulheres de 25 a 49 anos e negras e, entre os homens, saíram do mercado de trabalho, principalmente, adultos, chefes de domicílio e negros.

A taxa de desemprego total das mulheres diminuiu de 21,5% para 19,7% da PEA. Entre os homens, o decréscimo foi mais intenso: passou de 16,3% para 14,4%, ampliando a diferença entre as taxas de desemprego de mulheres e homens.

A redução da taxa de desemprego total entre as mulheres decorreu do aumento de seu nível ocupacional, uma vez que sua presença no mercado de trabalho manteve-se estável. No caso dos homens, diante da redução de sua taxa de participação, a diminuição do desemprego deveu-se ao crescimento da ocupação aliado à saída do mercado de trabalho.

Houve crescimento da ocupação entre as mulheres (4,2%), que refletiu o desempenho positivo de todos os setores de atividade analisados, com destaque para o industrial, cuja variação foi de 8,8%, em 2005. Para os homens, o aumento do nível de ocupação (2,4%) também foi setorialmente generalizado, mas com intensidade muito inferior ao observado entre as mulheres. Na Indústria, por exemplo - setor em que o acréscimo do número de ocupações masculinas foi mais intenso -, a taxa de crescimento correspondente foi de 3,7%. Como resultado desses ritmos diferenciados de geração de ocupações por sexo, tem-se que, do saldo de postos de trabalho criados em 2005, na RMSP, 60,4% foram ocupados pelas mulheres.

Em contraste com o bom desempenho do nível de ocupação feminina, em 2005, observou-se que o rendimento médio por hora das mulheres ocupadas diminuiu 2,1%, enquanto o dos homens aumentou ligeiramente (0,7%). Com isso, o valor recebido pelas mulheres (R$ 4,87) passou a corresponder a 75,6% do recebido pelos homens (R$ 6,44).


Estabilidade na participação das mulheres no mercado de trabalho da RMSP

  1. A taxa de participação feminina na Região Metropolitana de São Paulo - proporção de mulheres com dez anos de idade ou mais na situação de ocupadas ou desempregadas - permaneceu estável entre 2004 e 2005 (55,5%). Embora no maior patamar desde o início da pesquisa, é a primeira vez, nos últimos dez anos, que essa taxa não apresentou crescimento. Entre os homens, a taxa de participação manteve trajetória declinante, ao passar de 73,0%, em 2004, para 72,4%, em 2005.


  2. Os movimentos da taxa de participação feminina foram diferenciados entre os vários segmentos populacionais analisados, destacando-se o crescimento entre as mulheres de 25 a 39 anos (1,1%), de 40 a 49 anos (0,4%) e negras[1] (0,9%). Houve redução da presença no mercado de trabalho de pessoas nas faixas etárias extremas - mais jovens e mais velhas e chefes de domicílio (0,8%).


  3. A redução da taxa de participação masculina foi generalizada entre as faixas etárias analisadas, principalmente para as mais elevadas: 60 anos e mais de idade (4,9%) e de 40 a 49 anos (1,1%).Também houve redução para os chefes de domicílio (1,5%) e negros (1,5%).


  4. Refletindo a tendência de aumento da média de anos de estudo da população e dos maiores requerimentos de escolaridade exigidos pelas empresas, manteve-se o movimento de saída do mercado de trabalho de mulheres e homens com menor escolaridade: quanto menos instruído o grupo, maior o decréscimo de sua taxa de participação. O único segmento cuja taxa de participação não diminuiu foi o das mulheres com o ensino superior completo (0,1%).


DESEMPREGO

Taxa de desemprego feminina diminui e é a menor desde 1998

  1. A taxa de desemprego das mulheres tem sido sempre superior à dos homens, expressando sua maior dificuldade em obter uma ocupação. Entre 2004 e 2005, a taxa de desemprego total diminuiu de 21,5% para 19,7% da PEA feminina, movimento observado pelo segundo ano consecutivo e atingindo o menor valor desde 1998.


  2. Ao contrário do observado no ano anterior, quando essa taxa decresceu mais intensamente entre as mulheres, em 2005 a taxa de desemprego total[2] dos homens diminuiu com intensidade maior, passando de 16,3% para 14,4% da PEA masculina.


  3. Com esse movimento, as mulheres, que representavam 52,9% do total de desempregados da Região Metropolitana de São Paulo em 2004, passaram a corresponder a 54,0% em 2005, mantendo-se como maioria, em relação aos homens, desde 2000.


  4. Como no ano anterior, a redução da taxa de desemprego total das mulheres resultou basicamente do crescimento do nível ocupacional: como a proporção de mulheres no mercado de trabalho permaneceu estável e seu nível de ocupação ampliou-se, o decréscimo do desemprego indica que parcela das desempregadas conseguiu ocupar-se. Entre os homens, também diminuiu a taxa de desemprego total mas, como diminuiu sua taxa de participação, pode-se admitir que a retração do desemprego refletiu não só o aumento do nível de ocupação como também a saída de pessoas do mercado de trabalho.


  5. O decréscimo da taxa de desemprego total reflete, para ambos os sexos, a retração das taxas de desemprego aberto e oculto, de forma mais intensa entre os homens.


  6. Houve redução da taxa de desemprego em todas as faixas etárias, para ambos os sexos, em 2005. Entre as mulheres, os maiores decréscimos ocorreram para aquelas com 40 a 49 anos (9,0%) e 25 a 39 anos de idade (7,7%) e, para os homens, as reduções mais intensas foram registradas entre aqueles com 50 a 59 anos (22,0%) e 18 a 24 anos (12,7%). Em ambos os casos, o desemprego diminuiu devido ao aumento do nível de ocupação.


  7. Por posição no domicílio, destacam-se as reduções da taxa de desemprego total para as cônjuges e filhas, que refletem sua maior inserção como ocupadas, pois suas respectivas taxas de participação permaneceram estáveis e, no caso dos homens, o decréscimo para os chefes, cuja redução da taxa de desemprego total foi fortemente influenciada por sua saída do mercado de trabalho.


  8. Segundo raça/cor, a taxa de desemprego total das mulheres negras diminuiu 5,5%, bem menos que entre as não-negras (10,4%). Entre os homens, a variação desse indicador não apresentou tal discrepância: decresceu 10,5% entre os negros e 10,6% entre os não-negros.


  9. Ao analisar o desemprego segundo escolaridade, verifica-se que houve redução generalizada para os dois sexos em todos os níveis, de forma mais intensa entre os homens. Somente para aqueles com nível superior completo a taxa de desemprego total elevou-se.


  10. O tempo médio sem trabalho das mulheres com experiência anterior diminuiu em dois meses, entre 2004 e 2005. Entre os homens, a diminuição foi de um mês, após dois anos consecutivos em elevação. Apesar desse movimento, a média de tempo sem trabalho das mulheres ainda é bastante superior à dos homens (22 meses e 15 meses, respectivamente).


OCUPAÇÃO

Ocupação das mulheres cresce mais que a dos homens

  1. O nível de ocupação feminina aumentou 4,2%, em 2005, mantendo a trajetória de crescimento pelo sétimo ano consecutivo e repetindo o bom desempenho de 2004 (4,1%). Entre os homens, o nível ocupacional também se elevou, mas em ritmo inferior ao das mulheres (2,4%, em 2005, e 2,6%, em 2004).


  2. Isso resultou no aumento da participação feminina no total de ocupados (de 44,2%, em 2004, para 44,7%, em 2005), tendência que vem sendo observada continuamente ao longo da série da pesquisa.


  3. Em 2005, o crescimento do nível ocupacional das mulheres deveu-se ao desempenho positivo da Indústria (8,8%), do Comércio (4,8%), dos Serviços (4,0%) e, em menor medida, dos Serviços Domésticos (2,1%). Entre os homens, houve crescimento na Indústria (3,7%), nos Serviços (2,5%), no Comércio (1,1%), na Construção Civil (1,9%) e nos Serviços Domésticos (10,3%).


  4. Os Serviços, que abrigam mais da metade das mulheres ocupadas na RMSP (50,8%), mantiveram-se em expansão (4,0%), principalmente pelo crescimento dos Serviços Auxiliares (21,3%), Comunitários (10,1%), Comércio e Administração de Valores Imobiliários e de Imóveis (9,6%) e Administração Pública, Forças Armadas e Polícia (6,9%). As mulheres inseriram-se, especialmente, como assalariadas no segmento privado, com e sem carteira de trabalho assinada (6,2% e 8,1%, respectivamente), mas também como autônomas (5,8%), principalmente trabalhando para empresas (10,6%).


  5. Os Serviços Domésticos têm perdido importância para a inserção ocupacional das mulheres, mas ainda abriga 18,3% das ocupadas na RMSP. Em 2005, aumentou em 2,1% o número de mulheres ocupadas nesse segmento, particularmente na condição de diaristas (12,7%). Houve redução de 1,1% entre as mensalistas.


  6. Por posição na ocupação, o assalariamento total cresceu mais intensamente para as mulheres (5,0%) do que para os homens (4,3%), reflexo do aumento no segmento privado maior para as primeiras (6,9% e 5,0%, respectivamente), já que a redução registrada no emprego público atingiu de forma semelhante homens e mulheres.


  7. No interior do setor privado, destaca-se o aumento no assalariamento sem carteira assinada, que cresceu 6,3% para as mulheres e manteve-se estável para os homens. Já o trabalho autônomo ampliou-se entre as mulheres (5,7%), enquanto para os homens houve redução (2,2%).


RENDIMENTOS

Rendimentos voltam a diminuir para as mulheres

  1. Em 2005, o rendimento anual médio[3] das mulheres ocupadas na Região Metropolitana de São Paulo equivalia a R$ 813, enquanto o dos homens era de R$ 1.267.


  2. Como a jornada média de trabalho das mulheres é tradicionalmente menor que a dos homens (39 e 46 horas semanais, respectivamente, em 2005), o rendimento médio real por hora é a medida mais apropriada para a comparação. Assim, em 2005, as mulheres passaram a receber R$ 4,87 por hora, valor 2,1% menor que no ano anterior. Para os homens, esse rendimento foi estimado em R$ 6,44. Em comparação com o do ano anterior, elevou-se ligeiramente (0,7%), mantendo, com menor ritmo, o desempenho positivo de 2004.


  3. Em razão desse comportamento diferenciado, as mulheres passaram a perceber 75,7% do rendimento horário médio dos homens, relação que, em 2004, era de 77,9%.


  4. Por posição na ocupação, o rendimento médio real por hora diminuiu entre as assalariadas (1,3%) e as empregadoras (11,1%), mas elevou-se entre as trabalhadoras autônomas (2,8%) e domésticas (3,2%). Entre os homens, o aumento do rendimento horário médio foi praticamente generalizado, mas com intensidades diferenciadas.


  5. A menor diferença entre os rendimentos feminino e masculino é encontrado nos Serviços, setor em que a remuneração das mulheres equivalia a 98,4% da dos homens, em 2004, passando para 92,1%, em 2005. Em compensação, na Indústria permanece a maior desigualdade, uma vez que as mulheres auferiam apenas 61,8% do rendimento masculino, em 2004, passando pra 61,2%, em 2005.


  6. Em relação à escolaridade dos ocupados da Região, observou-se que, entre 2004 e 2005, houve reduções maiores no rendimento por hora para mulheres e homens com maior escolaridade: 6,6% e 2,2%, respectivamente, para aqueles com ensino superior completo e 1,2% e 2,5%, para os que possuíam ensino médio completo.


  7. Em todos os níveis de escolaridade, as mulheres recebem cerca de 67% do valor pago aos homens, evidenciando que mesmo as mulheres mais escolarizadas - e elas o são em maior proporção que os homens - têm dificuldade em se inserir em postos de trabalho mais bem remunerados.


Rendimento familiar

  1. O rendimento médio familiar apresentou crescimento, em termos reais, de 2,8%, passando a valer R$ 1.761.


  2. Em 2005, a composição do rendimento médio familiar segundo a contribuição de seus membros pouco se alterou em relação a 2004. A dos chefes de família passou de 65,7% para 65,0%, a dos cônjuges, de 17,2% para 17,5% e a dos filhos, de 13,7% para 14,0%.



[1] O segmento de negros consiste em negros e pardos e o de não-negros, em brancos e amarelos.

[2] Desemprego total expressa a soma dos desempregos aberto e oculto. O desemprego aberto refere-se às pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum tipo de atividade nos 7 últimos dias. O desemprego oculto corresponde às seguintes situações: a) desemprego oculto pelo trabalho precário: pessoas que, para sobreviver, exerceram algum trabalho, de auto-ocupação, de forma descontínua e irregular, ainda que não remunerado em negócios de parentes e, além disso, tomaram providências concretas, nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou até 12 meses atrás, para conseguir um trabalho diferente deste; b) desemprego oculto pelo desalento e outros: pessoas que não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias, por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses.

[3] Os dados de rendimento em 2005 referem-se ao período de dezembro de 2004 a novembro de 2005.